Mecha RPG em 3D&T, no cenário da Constelação do Sabre. Usando o módulo 3D&T Brigada Ligeira Estelar (escrito por Alexandre Lancaster)
 
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 Os Mundos da Constelação da Espada

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MensagemAssunto: Os Mundos da Constelação da Espada   Seg 16 Nov 2015 - 19:35

Mundos e Vantagens Regionais




A seguir são descritos os principais planetas da Constelação do Sabre. Existem outros, com suas próprias características e peculiaridades, que serão descritos em suplementos futuros. Contudo, estes mundos são os mais importantes para os pilotos da Brigada Ligeira Estelar — pelo menos no início de suas carreiras.
Cada um dos mundos habitados possui características próprias que o distinguem dos demais. Para representar em parte esta distinção entre os povos existem as vantagens regionais. Vantagens regionais nada mais são do que um pequeno bônus que pode ser incorporado à sua ficha de personagem gratuitamente.



Forte Martim


Um dos mundos mais turbulentos do Império. Ainda há marcas do que aconteceu há alguns anos, quando a herdeira regencial Adelaide D’Altoughia e sua irmã de poucos meses foram as únicas sobreviventes da tentativa de golpe militar no planeta. As duas irmãs tiveram que ser enviadas para outro mundo enquanto os partidários de sua família lutavam pelo poder para que Adelaide subisse ao trono. Essa experiência a endureceu: a princesaregente jogou duro desde o momento em que assumiu o principado, chegando a manter-se solteira para não deixar seu mundo sob a esfera política de outros sistemas. Quanto a sua irmã, ela permanece oculta em algum local do Império. O destino dos seus pais repousa oficialmente em mistério, mas Adelaide tem certeza de que estão mortos, e diz não ter como descobrir os responsáveis diretos.
Forte Martim é um mundo essencialmente agrário, dominado por famílias de grandes donos de terras, que ostentam títulos de nobreza e na verdade preferem um governo que sirva a seus interesses. A princesa-regente parece interessada em alianças bilaterais com Bismarck, e os nobres donos de terras não gostam disso. Os atritos entre o regimento regencial e os hussardos dos clãs locais de nobreza refletem essa insatisfação. Na verdade, Adelaide espera que eles engrossem o discurso: seria a desculpa perfeita para empregar a diplomacia do canhão. E ela está disposta a ir até o fim.
O que está por trás deste mundo é um imenso senso de oligarquia — são várias, espalhadas pelo planeta, e cada uma das famílias ligadas a essas oligarquias tem o seu próprio regimento pessoal. Nenhum destes senhores de terras está disposto a ver a ordem mudando. Por conta disso, Forte Martim é também um mundo onde levantes podem acontecer a qualquer momento — o que torna o trabalho da princesa-regente Adelaide ainda mais importante. Se ela não mudar o planeta, o pior pode acontecer — e se espalhar pelo Império.
Cada família central de uma oligarquia tem o seu próprio patriarca — de preferência alguém velho e cheio de filhos, que serão seus braços na política do mundo. Os patriarcas funcionam como reis em um jogo de xadrez, protegidos nos seus cantos, enquanto o resto de seus parentes vai tomar as bênçãos e consultar cada movimento a ser feito. Nesse sentido, não são muito diferentes de grandes famílias de mafiosos.
Essas famílias vivam sob um equilíbrio de poder que apenas agora se viu sob ameaça. Conseguiram isso por meio de uma política astuta, de casamentos e alianças. Embora as famílias eventualmente joguem umas contra as outras, podem se unir em um propósito comum. Não foi à toa que tentaram um golpe e tiveram sucesso. Há quem diga que na verdade os D’Altoughia já haviam entregado o mundo ao Império ainda em sua fase de neutralidade; o cerco foi apenas para fins de oficialização. Não foi à toa que Adelaide só assumiu o trono regencial de seu planeta com a ajuda do próprio Império e da Brigada Ligeira Estelar.
Adelaide sabe que a política é a arte dos gestos simbólicos e precisou reconstruir sua própria guarda regencial. No entanto, os soldados vieram das academias militares locais e muitos deles — cuja origem é aristocrática — parecem não estar felizes com a presença da filha do antigo regente de volta ao poder. Talvez só precisem de um empurrão para se tornar uma ameaça. Na verdade, sussurra-se que o militar médio de Forte Martim precise de um empurrão para se tornar qualquer coisa — inclusive ser útil. Neste contexto, talvez a Brigada Ligeira Estelar seja mais necessária para ela do que nunca.
Por outro lado, há lugares onde talvez nem a Brigada seja o suficiente...




Trianon


Um dos locais com maiores disparidades sociais no Império, tão vastas que nem mesmo Silas Falconeri conseguiu desmantelar. Trianon é conhecido pela nobreza de todos os demais planetas como um local de grandes festas. O príncipe-regente local, José Francisco de Nanterre, já octogenário, é conhecido por fazê-las em profusão, para o assombro de seus visitantes e a revolta de seus opositores, que veem nisso um esbanjamento brutal de recursos. Na verdade, os fatos são mais negros do que se imagina: de acordo com fontes internas do governo, Trianon estaria à beira da falência.
A verdade, jamais assumida mas popularmente conhecida, é que o príncipe herdou a maior fortuna do reino do antigo governante na época da Guerra do Sabre (o eterno Presidente Nazário Ballesteros, vencedor em contínuas eleições de fachada). Então roubou a segunda maior fortuna de seu mundo depois de aprisionar seu antigo dono (o então ministro das finanças Anatole Sandorff) sob acusação de traição. Assim, usa todo esse dinheiro para distrair a classe política dos problemas do planeta. Nanterre assumiu uma posição de liderança durante as revoltas populares em 1808 mas na verdade nunca levantou uma arma na vida; sempre deixou os outros baterem de frente contra as ameaças para em seguida
tomar as glórias alheias para si.
Durante o governo de Silas Falconeri, houve o medo constante de que este derrubasse o principado e o colocasse sob domínio de alguém de sua confiança. Por três vezes isso quase aconteceu. Na verdade, se Silas Falconeri fosse ainda o mesmo dos seus anos de guerreiro libertador, na certa Nanterre e seus homens teriam sido executados por traição. Mas o Falconeri conciliador que emergiu após a morte de sua esposa era diferente. O resultado disso foram várias revoltas populares que acabaram sendo esmagadas antes que pudessem ter repercussões fora do planeta. Com o governo de Silas Falconeri II, tudo acabou de forma muito pior; o Império já está fragilizado em Trianon, e é disso que Tarso precisa. Não à toa, muitos nobres do clã tarsiano dos Artusen já estão bem integrados à corte local…
Com tudo isso, Trianon é um dos mundos ideais para que os Libertários entrem e joguem mais lenha na fogueira. Muitas pessoas já aderiram ao discurso — e ninguém mais esquece que em 1860 até mesmo uma unidade inteira da Brigada se voltou contra o próprio príncipe-regente Nanterre durante um levante agrário. Se uma revolta já derrubou um governo antes, por que não fazê-lo de novo?
Enquanto isso, o clima da nobreza é de luxo e ostentação, apesar das orientações de observadores políticos de outros mundos. Sim, o herdeiro regencial de Nanterre, Augusto, ensa em limpar o mundo e colocar tudo em ordem antes que um levante grave aconteça. Contudo, seu pai não permite, e quer excluí-lo da linha sucessória em favor do neto — esse, um adolescente de quinze anos mimado e cruel que se alinhou ao avô e pode ser mais perigoso do que ele.
O fato é que Trianon se tornou um planeta onde é mais interessante atender às demandas da nobreza do que se estabelecer na cadeia produ-tiva. Por isso, é um mundo onde mais pessoas são estimuladas a ser saltimbancos do que a estabelecer seu próprio negócio. É fácil encontrar acrobatas, atiradores de facas e artistas similares, que usam suas habilidades para distrair o público — e, em certos casos, para cometer assas-sinatos políticos durante as festas. Esta inclusive é uma das maneiras que o príncipe usa para manter a nobreza na linha…




Annelise


Este é talvez um dos mais belos lugares do Império. Tem belos jardins e roseirais, com um clima temperado em escala planetária possível graças a dimensões relativamente reduzidas. Diz-se que o mundo só tem duas estações: verão e inverno, mas o verão é sempre muito ameno. Tudo é cercado de uma atmosfera romântica... Sim, Annelise é um mundo onde imagem pública é tudo. Parece ser um mundo de gente bonita onde a fofoca é onipresente e todos querem saber da vida íntima da família real.
O fato é que Annelise é um lugar muito agitado: tem importância política, as intrigas parecem acontecer o tempo todo, e a máscara de beleza disfarça o que realmente acontece. Um exemplo: todos conhecem a história, verídica, de que o herdeiro regencial Augusto estava arranjado para casar com a mais velha de duas irmãs. Quando ambas lhe foram apresentadas, em cerimônia pública, ele se apaixonou à primeira vista pela mais nova delas, Rosemarie. E anunciou publicamente, em plenos pulmões, o casamento com a moça que acabara de ver pela primeira vez.
Quando essa história ganhou público, a imaginação romântica se acendeu. Rosemarie se tornou popular; passou a aparecer em todos os eventos, emprestando seu sorriso e seu carisma aos atos do governo. Seu rosto passou a aparecer em simplesmente todos os lugares de uma forma que não se via mais desde a breve passagem de Yoli Falconeri no trono da Aliança Imperial. Na verdade, muitos detratores da princesa-regente acusavam-na de apenas imitar Yoli.
Segundo os boatos, o príncipe nunca iria casar com a irmã mais velha. Esse foi um arranjo feito para causar impacto no público e tornar a belíssima moça (a real candidata) visível no imaginário popular. Ambos casaram-se, tornando-se figuras míticas no imaginário romântico.
A “farsa para as massas” pode ou não ser um mero boato — não há realmente provas disso. Mas o fato é que eles realmente são figuras públicas.
Os grupos de Libertários sempre haviam tentado atacar Rosemarie em sua juventude. Mas nunca tiveram sucesso. A partir dos trinta e cinco anos, a princesaregente recusou-se a ser fotografada. A guarda sobre ela foi relaxada, e então os Libertários tiveram sucesso... Tarde demais.
Desde os doze anos de idade, a filha do casal, Rosalinde, já despontava como herdeira da beleza da mãe. E tudo está sendo preparado para que, assim que ela complete quinze anos, desempenhe o mesmo papel que a mãe desempenhou.
A herdeira regencial é uma moça mimada e infantil, e muitos rapazes disputam a sua atenção. Novos boatos surgidos entre o povo, muito populares entre os Libertários, dizem que ela já não seria donzela, e algumas pessoas já começam a chamá-la de “a mulher que se disputa”. Os Libertários estão atentos: não vão querer uma nova garota propaganda para o regime monárquico. Assim que a guarda relaxar, fatalmente tentarão transformá-la em alvo.
Em todo caso, apesar dos que desconfiam profundamente da aura romântica deste planeta — e muitos têm a impressão de que existe algo de profundamente errado sob essa fachada florida — existem os que se preferem aceitar as coisas como parecem ser. Fazer parte da guarda real de Annelise tem um glamour profundo. Os membros do corpo da Brigada Ligeira Estelar não são tão mal vistos pela nobreza, e mesmo a tradicional rivalidade entre corpos de guarda aqui parece ser um pouco mais amigável. O povo é ordeiro e receptivo, mesmo com os traumas de atentados libertários contra a família real. Os Proscritos ainda não chegaram a Annelise, e talvez o maior problema aparente do planeta seja o excesso de duelistas: embora duelos sejam proibidos, como acontece em todo o Império, eles estão enfronhados na cultura geral do planeta. Muitos até mesmo acreditam que a organização conhecida como Círculo da Espada tem sua origem aqui. Não é segredo para ninguém que
boa parte de seus membros está neste mundo. Como diz o provérbio: “Quem visita Annelise traz uma esposa, ou traz uma cicatriz”.




Montalban


Poucas coisas são mais simbólicas a respeito de Montalban quanto a atitude que o príncipe-regente Desidério Del Mar tomou no ano de 1832. Após ser forçado a trair o Império graças ao sequestro de sua filha — e retornar às suas hostes quando ela foi resgatada — Desidério renunciou ao trono regencial, entregou-se a Silas Falconeri e declarou-se sujeito a qualquer punição, inclusive a morte. Também se sabe que sua filha, apesar das lágrimas, se manteve impassível quando ele disse que o faria. Simplesmente era a forma de seu pai recuperar a honra que um príncipe-regente sujeito ao Imperador deve ter. Era seu dever e sua única chance de recuperar a dignidade. Nem o habitante de Montalban mais nacionalista iria se revoltar contra o Imperador nesse caso. Fora cometido um crime de honra.
O Imperador acabou perdoando Desidério na última hora. Sua punição foi a entrega da mão de sua filha a Lucas Falconeri, o segundo filho do Imperador — que foi quem a resgatou (ao que tudo indica, por conta própria). Essa história acabou se juntando ao extenso cancioneiro popular sobre a bondade e glória de Silas Falconeri, mas ela define bem o que está por trás da cultura de Montalban. É algo diferente da fidelidade marcial e do gosto por disciplina de Bismarck: culturalmente, Montalban carrega uma mentalidade que em muitos aspectos ainda apresenta uma espécie de ranço da era medieval terrestre, com seus laços de suserania, vassalagem e honra — onde o Imperador é o maior dos suseranos. E, ao suserano, se deve lealdade e fidelidade.
Ao contrário do que possa parecer, a fixação cultural deste mundo por esses conceitos tem menos a ver com nobreza de caráter do que uma forma simples, bruta e direta de pensar. É sintoma de uma cultura onde a palavra de um homem vale mais do que um papel assinado.
Montalban é um mundo de honras lavadas com sangue, de rancores gravados a ferro e fogo, de desonras que não podem ser desculpadas. É uma questão encarada de forma passional, até porque Montalban tem uma cultura passional. Os filhos vivem para carregar a honra dos pais e não devem manchar seu nome ao cometer seus próprios erros. E homem que é homem cumpre sua palavra. Homem que é homem não se acovarda. Homem que é homem não recusa desafio. Já as mulheres devem ter compostura. Não devem envergonhar seus pais ou maridos. Devem ensinar seus filhos a serem respeitosos com os pais e avôs. E, se houver um insulto ao nome de um dos dois, o filho deve honrá-los e limpar a injúria. Algumas mulheres montalbanianas não aceitam isso — e estas costumam ser até mais ferozes do que os homens quando assumem esses papéis proibidos pela sua sociedade.
Esta cultura teve alguns efeitos positivos. De modo geral, Montalban tem uma estrutura política estável — os cabeças das casas reais têm uma palavra a ser mantida como vassalos do príncipe-regente, mesmo que tenham algum tipo de rusga quanto a ele. Afinal de contas, não querem ser vistos como traidores. Mas o grande ataque a Ottokar deixou claro: é dever dos filhos de Montalban tomar em armas — seja para se juntar à Brigada e defender o Império como um todo dos Proscritos, seja para se juntar a qualquer outra guarda com o fim de proteger o planeta na iminência de um ataque. Muitos consideram este planeta o verdadeiro centro de articulação para o retorno da família imperial ao trono — e provavelmente é verdade. No final, ao se tornar regente de Montalban, Lucas Falconeri conseguiu os melhores aliados que poderia conquistar — porque Montalban não é terra de homem frouxo, e um filho deste mundo nunca, nunca vai se acovardar quando o inimigo se mete a besta.
Especialmente quando seus inimigos políticos e grandes rivais são os Artusen de Tarso.




Tarso


Quando este mundo foi localizado durante a expansão humana pelo universo, era um planeta de atmosfera e gravidade compatíveis com a vida humana — mas praticamente ermo e sem vida. O que se viu foi um pesado trabalho de terraformagem: Tarso é praticamente um mundo construído pelo homem. Foi preciso, inclusive, construir um satélite artificial em órbita para estabilizar o eixo do planeta, e assim acabar com as intensas variações de clima que provavelmente foram as responsáveis pela vida não ter se desenvolvido aqui. E seu povo se orgulha arrogantemente disso.
Talvez mais do que deveria.
O tempo tornou Tarso uma nação pesadamente industrializada, onde todas as construções parecem valorizar o concreto armado aparente, chegando ao extremo de destacar os perfis metálicos de vigas e pilares. Mesmo do espaço é possível ver os efeitos disso: sob a luz fria de uma estrela branca, este mundo se tornou, literalmente, um planeta cinzento. Mas sua industrialização tornou-o economicamente poderoso: é o mundo mais habitado do Império, e talvez o seu centro financeiro. Imigrantes de outros mundos mais pobres, como Ottokar e Arkadi, costumam chegar regularmente em busca de melhor sorte.
O problema é que, por conta de um discurso de superioridade local que lhes é martelado desde a infância, boa parte dos tarsianos cresce acreditando que são os únicos que produzem e trabalham — que Tarso é “o mundo que carrega o resto inútil do Império nas costas”. Até mesmo porque acreditam em muitos estereótipos sobre os diversos mundos da constelação.
Quem sofre com isso são justamente os imigrantes e seus descendentes, vistos como “feios e sujos”. Uma das maiores vítimas dessa postura social são os evos, descendentes da mão de obra que trabalhou no planeta durante o período de terraformação — e quem realmente ajudou a construir este mundo. Tarso apresenta a maior população de evos na Constelação do Sabre. Eles vivem em periferias no entorno das grandes cidades, sujeitos sempre ao pior. O surgimento do Império nunca mudou realmente sua situação — Falconeri obrigou igualdade de direitos, mas em Tarso, os evos vivem sob o tacão das pequenas humilhações diárias.
Nem todos os tarsianos pensam assim. Contudo, desde a Insurreição Tarsiana (de acordo com seus livros escolares, Tarso “perdeu a guerra mas ganhou o ideal”), a maioria repete o discurso de sua elite tradicionalista, puritana, com ímpetos separatistas e ancorada em discursos de “valores de família”. Boa parte do povo de Tarso se considera uma raça de príncipes em meio a um império de plebeus. Se os Artusen estão solidamente no poder neste planeta, é por saber muito bem angariar apoio popular ao fabricar tensão social contra o resto da constelação. Por isso sua classe média faz vista grossa contra a política destrutiva da nobreza local: para eles, tudo de ruim é culpa dos Falconeri, convenien-temente (e com a ajuda da mídia, comprada pelos Artusen) esquecendo que as famílias nobres de Tarso passaram a infestar o judiciário do Império, torcendo as leis a seu favor.
Não é segredo para ninguém que os Artusen têm uma imensa sensação de despeito para com o finado Silas Falconeri: jamais o perdoaram por sua origem humilde, enquanto eles todos são “nobres legítimos, educados pelas maiores mentes do Império”. Na verdade até as pedras sabem que o maior desejo dos Artusen é subir ao trono, que veem como um direito natural.
Há quem se pergunte se eles não têm a ganhar com a chegada dos Proscritos. Ninguém sente muita firmeza no governo regencial, com a ausência de herdeiros de Falconeri no trono. São os próprios Artusen que atrapalham, no parlamento imperial, qualquer iniciativa do último herdeiro de Falconeri, Lucas (regente de Montalban), de assumir a regência neste momento de crise.
Isso porque, de acordo com a Falconiana, qualquer regente pode requisitar o trono após sete anos de governo, caso não haja herdeiros. Com a guerra contra os Proscritos, muitos mundos acreditam que o Império precisa de mais do que um regente — precisa de um Imperador forte, e os Artusen são os primeiros a declarar que só entre suas hostes há quem possa desempenhar tal papel. Por isso, há quem acredite seriamente que os nobres de Tarso têm uma aliança velada com os Proscritos. Alguns acham que isso é mera teoria de conspiração. Já outros, dizem que acordos espúrios são a cara dos Artusen... Mas, no fim das contas, por que os Proscritos fariam qualquer tipo de acordo se simplesmente tomam
o que querem e destroem o que está no caminho?




Arkadi


Arkadi é um dos mundos mais pobres e afastados do Império — e está sob invasão dos Proscritos. Vastas áreas de sua extensão são relativamente inabitáveis por conta de suas baixas temperaturas. Em compensação, as áreas habitáveis possuem um invejável conjunto de terras férteis que fizeram deste mundo um planeta agrícola por excelência. Mesmo assim, a compensação é pequena; por sua natureza distante, seus clientes acabam sendo os mundos dos arredores. Tecnologicamente, Arkadi é também mais atrasado. Boa parte de seus habitantes prefere usar animais de montaria a veículos de transporte — o que permite que populações tradicionais como o povo cossaco permaneçam ativas e fortes, causando dor de cabeça para o governo local. Andar a cavalo muitas vezes dá vantagem em relação a pilotos de robôs gigantes, já que
em Arkadi, animais tendem a suportar melhor o ambiente. Um veículo planejado para mundos menos hostis pode simplesmente não resistir ao frio e ao desgaste.
Com tantos problemas aglomerados, não é difícil imaginar por que o governo arkadiano decidiu voluntariamente se juntar ao Império, ao lado de Villaverde e Ottokar, em seu pacto de fundação. Estes mundos são relativamente próximos, frequentemente os melhores clientes uns dos outros. Dentro desta estrutura, simplesmente não tinham nada a perder. No entanto, pouco mudou realmente: por conta dadistância dos grandes centros imperiais, não há uma autoridade tão presente a ponto de mudar os vícios de organização do planeta. É um mundo conservador, violento e pobre.
Não é preciso dizer que as autoridades não são particularmente confiáveis. Arkadi é conhecido por ser extremamente burocrático e sujeito a mandos e desmandos de qualquer um em posição de dar ordens. Sua guarda regencial é um exemplo assustador disso: eles têm a valentia, o gosto pelo excesso e o lado meio indisciplinado que se espera de qualquer hussardo que se preze. Mas, diferentemente da Brigada Ligeira estelar, proteger as pessoas comuns não parece ser uma prioridade aqui. Os militares são mais conhecidos por fazer saques (sob a vista grossa de seus superiores), correr atrás de qualquer rabo de saia e depredar o que bem entenderem, contando com a própria impunidade. Não é à toa que as forças da Brigada estacionadas neste planeta sempre se veem envolvidas em escaramuças contra a guarda de Arkadi. Rivalidades entre a Brigada e a guarda regencial de um mundo são praticamente uma tradição, mas como eles poderiam ficar cegos ao que veem em Arkadi?
Talvez por isso a força ainda seja a lei mais frequente neste mundo. Casas de nobreza mantêm grandes domínios de terras, assim como em Forte Martim. Mas aqui ninguém realmente parece ligar para seus abusos — é algo natural. As pessoas crescem em um ambiente rude. Andar com uma arma é tão natural quanto cavalgar. Injustiças e crimes perpetrados por gente poderosa são tão naturais que o senso de impunidade, oficializado, leva a uma mentalidade de justiça pelas próprias mãos. Se você não fizer, quem o fará? No entanto, arkadianos que estudaram em locais diferentes são os primeiros a desejar mudanças. Alguns são seduzidos pelo discurso dos Libertários e se tornam terroristas. Outros, com experiência em corpos militares hussardos, não têm o menor pudor de empunhar uma espada e esconder seu rosto em nome da justiça.
Isso era esperado. A lei só existe quando um representante do Império está presente, e desaparece quando ele vai embora. Os oficiais da Brigada Ligeira Estelar estão ocupados demais lutando contra os Proscritos — Arkadi talvez seja a segunda área de resistência mais ferrenha aos seus ataques. Os oficiais hussardos das guardas regenciais e de nobreza são motivo de medo para as pessoas comuns, pois aqui são mais parecidos com aqueles que inspiraram esse nome no passado: cabeludos, selvagens, arrogantes, bêbados e brutos. Enfim, se não há estabilidade ou regras nas quais se ancorar, só há um modo de se fazer justiça: pelas próprias mãos.
Quanto aos Proscritos, ninguém discorda: a única solução está nas armas. Mas ao menos os cossacos parecem estar se divertindo com isso — embora seja impossível imaginar um corpo local de guarda cossaco nos moldes de Villaverde. As relações entre o principado de Arkadi e o núcleo local de cossacos já azedaram irremediavelmente.




Outros Mundos

Embora estes sejam os principais mundos da Constelação do Sabre, existem diversos outros, com suas próprias características e história.



Albach


Albach era um dos cabeças dos nove mundos do Sabre, e bastou sua queda para que o grupo entrasse na defensiva, apelasse para uma trégua e implodisse apenas alguns meses depois. Hoje Albach é a sombra do que um dia foi, e a elite de Tarso se aproveita da má vontade do povo e da nobreza deste mundo para com o Império. No entanto, muitas pessoas atentam para a manipulação dos tarsianos. Por isso Albach vive uma guerra de informação, onde os ânimos são inflamados e aqueles que tentam revelar a verdade sofrem difamação e ataques — parindo uma geração de rebeldes. A mídia deseja valorizar os Artusen e desconstruir a figura dos Falconeri. Algumas pessoas valem-se de robôs hussardos personalizados para reagir com força, quando aqueles que deveriam deter as leis foram comprados.




Alabarda


Alabarda sempre foi vítima de um discurso de defesa dos valores morais e da família. Isto serve de escudo da escória política de vários mundos até hoje (Tarso incluso) e é uma forma eficiente de reprimir a população. Por isso, este é um mundo com enormes disparidades sociais, que dividiram seus habitantes em pró-Império (conhecidos como Legalistas) e anti-Império (Emancipadores). Ambos educam seus filhos desde cedo no uso das armas — até mesmo nas escolas públicas, porque todo mundo deseja a segurança financeira de se tornar um oficial do exército. Tornou-se mais interessante para muita gente entrar para as forças armadas a partir dos quatorze anos. Com isso, Alabarda parece caminhar para uma nova guerra civil.




Albuquerque


Mundo central do Império. A antiga capital, Leocádia, se tornou a Cidade Imperial — o coração da Constelação do Sabre. Há um espírito aventureiro no ar e um sentimento heroico da parte dos que decidiram “fazer a diferença”. De modo geral, o povo se orgulha de seu mundo e, ao contrário de Tarso e Albach, há justificativa para isso — eles são desafiadores de adversidades por excelência. Por terem vencido um governo opressor, sabem a importância da inclusão social. Os albuquerquianos desbravaram o caminho para uma nova era e continuam a fazê-lo. Valorizam a persistência. Afinal, foi esse esforço que levou um homem de origem humilde a desbancar uma oligarquia em seu mundo. Esse exemplo jamais será esquecido.




Altona


De todos os mundos da constelação, Altona é o único que apresenta sinal de um dia terabrigado outra vida inteligente — algo que a humanidade sempre procurou em vão. Quando os primeiros humanos chegaram, ela não estava mais lá — mas os restos dessa infraestrutura permitiu à humanidade recuperar rotas de estradas e até mesmo fazer novas construções a partir de plantas antigas. Isso gerou uma configuração urbana labiríntica que deu aos habitantes a capacidade de se orientar onde quer que estejam. Altona é o nicho arqueológico por excelência da constelação, sempre atraindo quem deseja desvendar segredos antigos. É claro que esses mistérios atraíram outro tipo de aventureiro: falsificadores, saqueadores de tumbas e vários tipos de golpistas dispostos a se aproveitar da aura de Altona.




Bismarck


Um mundo marcial. Em Bismarck, até mesmo as mulheres militares usam cabelos curtos de forma padronizada, em nome do senso de que todos devem ter as mesmas obrigações. Esta disciplina garante fidelidade de seu povo — e governo — ao Império. Bismarck cresceu muito nos últimos quinze anos e começou a exercer grande influência. O que não deixa de ser inusitado: foi um dos primeiros mundos a serem anexados por Silas Falconeri. Apesar da revolta inicial, o povo não enxerga o Império com antipatia; aceitou a derrota com dignidade e se mostrou imensamente fiel ao Imperador (sua participação na revolta de 1822 talvez tenha sido o último suspiro dos inimigos do Império aqui). Em contrapartida, até hoje Bismarck não perdoa Viskey, o responsável por essa anexação. No entanto, isso não impede este mundo de agir por conta própria para salvar a constelação caso o governo regencial não pareça ser capaz de deter sua fragmentação política.




Estação Parlamentar


A grande obra de Silas Falconeri II para alguns, um grande elefante branco para outros. Inaugurada em 1846, a Estação Parlamentar partiu de uma ideia do próprio patriarca Silas Falconeri, que pretendia marcar seu território nos mundos mais distantes da constelação e garantir a integridade imperial. Para isso, ele afastaria o legislativo do executivo, colocando-o longe de Albuquerque, para deixar claro que o Império não era uma mera extensão de sua vontade. No entanto, tudo que ele conseguiu com isso foi colocar as raposas no galinheiro: longe das pressões populares, políticos inescrupulosos legislam a favor de seus próprios interesses, e a distância os leva a desconsiderar vozes dissonantes. Se os Proscritos destruírem este lugar, pode haver comemorações nos demais mundos.




Gessler


O mundo com a maior quantidade de mercenários na constelação. É um planeta de banqueiros e contadores. Como a maior parte da atividade econômica está nas finanças, era um planeta rico, com infraestrutura sólida, mas ao mesmo tempo não tinha o que produzir para manter essa estrutura rodando. A solução veio quando seus habitantes se tornaram mercenários, lutando nos conflitos dos planetas ao redor. O dinheiro dos mercenários gesslerianos é guardado e investido no próprio planeta — afinal, é um paraíso fiscal. Não é à toa que o único tabu para estes mercenários seja se voltar contra Gessler — algo que mancha irremediavelmente um companheiro entre os seus. Gessler deve ser preservado. Sempre.




Inara


Apenas um quinto da superfície de Inara é coberta por terra — o resto é oceano. No entanto, a superfície sólida não chega a formar uma massa continental. Este é um planeta composto de ilhas. Por isso, não há um governo unido de verdade; Inara sempre funcionou de forma confedera-tiva e cada ilha tende a ter certa autossuficiência. As principais atividades são pesca e extrativismo. Mas Inara tem um bom motivo para manter um corpo ativo de guarda: além de eventuais piratas e outros bandidos, a fauna é repleta de monstros enormes e ferozes, muitas vezes ultra-passando os quinze metros de altura; alguns deles são capazes de causar muitos danos em centros urbanos. Daí a existência de corpos de
hussardos subaquáticos, com anos de experiência no combate de monstros marinhos. Também há nobres e grupos de gladiadores que domam certas espécies para diversão popular.




Moretz


Um mundo repleto de fungos tóxicos para o ser humano. A sobrevivência só é possível em cidades acima da troposfera, no alto de montanhas — ou em cidades flutuantes criadas por tecnologia. Por isso, a presença de robôs hussardos é fundamental. De mensageiros e transportadores perseguidos por piratas aéreos até mineradores que descem para a superfície, praticamente todos pilotam algum tipo de veículo ou robô. As cidades abrigam bolsões de pobreza imensos, e o sonho de seus habitantes é reunir dinheiro para sair do planeta — ou garantir que ao menos seus filhos tenham essa sorte. Isso sem falar das “Cidades sem Lei”, criadas pelos piratas aéreos locais, que abrigam todo tipo de atividade proibida.




Ottokar


O mundo mais pobre da Aliança Imperial, Ottokar culturalmente é um corpo estranho à Constelação do Sabre. A natureza é ingrata e, antes do pacto de fundação imperial, houve centenas de guerras e levantes que ajudaram a consumir o planeta aos poucos. A invasão proscrita foi apenas a cereja do bolo. Por isso, o povo deste mundo passou a ter uma postura fatalista, onde a providência é impiedosa e o sofrimento molda os fortes. O destino adquiriu contornos de fé popular, e é o responsável por testar os merecedores. Ottokar é um lugar de sofrimento, e deste nascem os fortes. Neste momento, seu papel como um dos mundos de fronteira do Império — uma das principais frentes contra a invasão — exige dos ottokares que sejam realmente fortes. Mais do que nunca.




Schulmann


Um asteroide gigantesco terraformado, lar da maior universidade e centro científico do Império, além de ter desempenhado um papel precioso na integração dos mundos centrais da constelação, graças a sua localização a meio caminho entre Alabarda e Winch. A Universidade Armin Schulmann foi aberta em 1752, e em menos de dez anos se tornou a principal universidade da Constelação do Sabre, atraindo milhões de pessoas. Schullman é um centro de pesquisa e desenvolvimento científico, e aqui são idealizadas e testadas algumas das novas ciências que levarão o Império ao seu ápice. Daqui vieram literatos, cientistas e estadistas; mentalistas que aqui estudaram se tornam ministros ou conselheiros de príncipes. Muitos movimentos de contestação nasceram nas mesas dos bares locais. Por isso, muitos governos veem o local com reservas...




Winch


Este é um mundo único, pelo fato de ter dois príncipes-regentes. Winch tem duas grandes massas continentais que, ao serem habitadas, acabaram se definindo uma em contraponto à outra. Apesar dos rancores, Winch Ocidental depende economicamente de Winch Oriental para viver e vice-versa, e são esses interesses que impedem o pior de acontecer. Como a presença insidiosa de Tarso começa a despertar receptividade no Ocidente, o Oriente começa a querer mostrar serviço como defensores do legado de Silas Falconeri. O resultado é praticamente um clima de “guerra fria” — onde um lado olha o outro com desconfiança e tensão. O verdadeiro jogo é travado nas sombras.




Uziel


Conhecido como o mundo mais perigoso da constelação, oficialmente Uziel é um mero centro de comerciantes — uma ponte de produtos vindos de diferentes planetas, onde se pode encontrar literalmente qualquer coisa pelo preço mais barato. Quando os mundos mais distantes nem eram levados a sério, Uziel era visto como o planeta de fronteira por excelência — o que fez dele um mundo de contrabandistas e criminosos mesmo nos dias de hoje. As autoridades tendem a fechar um olho caso eles se mantenham comportados. Até porque sua presença também traz pessoas dispostas a gastar dinheiro, e uma parte desse dinheiro sempre acaba nas mãos dessas mesmas autoridades. Os Proscritos já começaram a transformar o planeta em frente de combate… No entanto, se algum Proscrito estiver disposto a negociar em vez de matar, vai encontrar quem queira fazer negócio.




Viskey


Viskey é um mundo povoado por etnias de origem asiática, cujo mapeamento histórico se perdeu ao longo dos milênios. Independentemente de sua origem, seus habitantes carregam até com maior diligência as raízes culturais europeias do hoje mítico planeta Terra; este é o centro cultural do Império e uma das peças chaves da política, mesmo nos dias de hoje. Há dois fatores que mantêm sua influência. Um deles
é justamente a relação entre este mundo e a indústria de robôs gigantes de combate de Albuquerque. O outro é o fato de que Viskey tem a maior proporção de mentalistas da constelação. Muitas vezes, os jovens mentalistas detectados em meio às tropas da Brigada Ligeira Estelar
passam por um treinamento nas unidades localizadas em Viskey para desenvolver suas capacidades, gerando alguns dos melhores combatentes das hostes imperiais.




Villaverde


Apesar de Villaverde ser considerado um dos três mundos mais pobres do Império, seu padrão de vida é invejável para os que sonham com tranquilidade. Este é o lar de pequenos agricultores e aldeias reduzidas. Por serem pessoas acostumadas a crescer ao ar livre, com trabalho braçal, seus habitantes tendem a ser mais fortes e resistentes do que a média. Sua economia modesta vem do fato de Villaverde ser simplesmente o mundo menos habitado e mais distante do Império. Por isso ele se tornou uma presa fácil para os invasores, e a área mais crucial a ser defendida nesta guerra.
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